terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Behind the counter II - Prazo de validade

Depois das pessoas que vêm reclamar dos produtos vendidos fora de prazo porque se enganam a ver os números (eu sou adepto da marcação destas coisas com quatro dígitos no ano, para evitar confusões...), agora temos uma nova espécie de "reclamadores"...

Esta foi com o Sr. Carlos, que as apanha ainda melhores do que eu:

- "Oh Sr. Carlos, era para ver se me podia trocar isto por outro com prazo mais longo...
- (depois de ver que o prazo tinha terminado quatro meses antes) Pois, Sr. Fulano, já não podemos fazer nada. Este prazo já passou há um tempo...
- Não podem? Então o que é que eu faço agora?
- (...) Lixo! (que é como quem diz, por estes lados, Valormed)"

Como se houvesse outra coisa qualquer que nós pudéssemos fazer. Os milagres são noutra casa.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

"Agradecimento"

É por estas e por outras que eu tenho de deixar de ser "bom rapazinho"...
Porque "agora não dá aqui muito jeito", um gajo abdica das coisas a que tem direito (nomeadamente porque, para não ser favor, já sai do bolso!) e fica entalado, e depois ainda parece que fica mesmo a dever favores...

Só tenho pena de não ser esperto o suficiente para conseguir responder na altura como agora, tarde demais, sei que devia ter respondido... mal do costume... história do mexilhão.
E acho-me, eu, um fast-learner... yah, right...

(se o meu espírito natalício, este ano, tem andado assim... valham-me os fritos da Avó Adília...)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Balanço

Assim em jeito de balanço, quer-me parecer que, entre ATB's, AINE's e outros que tais (sem esquecer, claro, o meu bom amigo Kompensan...), tomei mais medicamentos este ano do que tinha tomado até hoje.
Parece-me, assim por alto...
E parece-me que ainda não fico por aqui :S

Se era para tratar assim o meu fígado, valia bem mais a pena ter bebido umas caipiroskas...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Fotografia

Gosto de fotografia! Muito! E, como existem imagens para mil palavras, também existem palavras para mil imagens...

"O homem que vive nos seus olhos acha-se continuamente perante cenas e espectáculos que lhe despertam a atenção ou admiração e exigem uma reacção adequada. Passar sem fazer uma pausa é impossível e continuar após um simples aplauso mental insatisfatório; tem de pagar qualquer tributo real. A fotografia, para muitos dos seus adeptos, representa um meio conveniente e simples de saldar as dívidas ao mundo visual."

Edwin Smith, fotógrafo inglês 1912-1971

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Siso

Hoje foi dia de tirar o siso. Exodontia, que, dito assim, até parece uma coisa fácil... mas que até não é assim tão difícil. Pelo menos para já, que ainda não sinto metade da cara nem da lingua, enquanto é tudo só uma bola amassada e dormente. Valha-me o Brufen da manhã e gelo, muito gelo.

(Se não tiver cuidado, acho que posso estar a babar-me e nem dar por isso...)

O que mais custou, afinal, foi esta última semana, com doses (cavalares) de anti-inflamatórios que não evitaram dores nem febres nem acordar a meio da noite (e ter de me levantar e fazer um ligeiro snack nocturno para, logo a seguir, tomar mais uma dose...).

Deve ser daqui que vem a expressão "sisudo": faz-nos andar de semblante e cara fechados, rabugentos e respondões, sem paciência, irritados e irritadiços...

Ah, pois... entretanto vai o do outro lado...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Behind the counter I

Behind the counter: histórias desta vida de contactos de(s)humanos, com um (quantas vezes providencial) balcão de permeio.
.
"
- Olhe, tropecei no sofá e depois bati aqui com a perna... não me põe aqui qualquer coisa?
- (depois de uma ligeira hesitação, entre o confundido com o sotaque, o contundido com a proposta e o indeciso da necessidade da intervenção) Pois, não temos aqui nada para lhe pôr, só se quiser comprar uma pomada...
- (pergunta quase obrigatória) e isso é muito caro?
- ... vou ver...
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(Lá trouxe uma pomada que podia ser; consegui acertar à segunda...)
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- Veja lá o que me acontece... Até rompi a meia toda... E é o menino que me vai pôr isso aqui? - pergunta a sra, de olhos suplicantes, a dar a volta ao balcão enquanto levanta a saia para eu ver a mancha avermelhada da coxa e a meia desfeita...
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- aaaaa... aaaaa... isso não é dificil de pôr... - respondo eu. Depois de passar o arrepio...
"

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

...

Hoje precisava mesmo era de uma experiência catártica...

... embora não tenha a certeza do quê ou do porquê disto tudo

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ir à guerra

Pois é, pá...
Por causa daquela nossa conversa de ontem, fizeste-me lembrar daquele "maravilhoso" filme, o "Karate Kid"...
Se o visse agora, outra vez, talvez achasse aquilo uma grande banhada, mas o velhote disse lá uma coisa de que nunca me esqueci.
Mais ou menos isto:
"You must never fight! But, if you really have to, then fight to win!"

Se precisares de um homem no canto do ringue...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Cores de Outono

Ontem o dia começou cedo. Muito cedo, aliás, ainda antes das 07:00, com aquela estúpida música a ressoar-me nos ouvidos (ainda gostava de perceber porque só sonho e acordo com músicas de que não gosto... Rhianna??? Valha-me Deus...).
Podia, portanto, dizer "ontem o dia começou cedo e mal!"

Até não :)
Depois da chávena de café, o cérebro lá sintonizou "Elderly woman behind the counter in a small town", bom prenúncio para enfrentar o frio da rua. E a neblina, ontem quase tão espessa como algodão e a deixar tudo com aquele ar de "Sleepy Hollow" de que tanto gosto. A puxar, claro, para a fotografia, tanto que, vejam bem, usei a câmara do telemóvel. À espera de chegar a S. José e que a neblina se mantivesse, para usar a máquina a sério :)

Enganei-me! Parecia uma parede, por cima do rio. De um lado algodão, do outro um Sol radioso. Nada de fotos, portanto, mas a vontade lá ficou. À espera da hora de almoço.

Ontem fui, outra vez, beber um café ao Santa Cruz. E com bónus, que na semana do S. Martinho é tempo de um cartucho de castanhas (e boas que eram, e todas!, nem uma com bicho...).

Pelo caminho, de ida e de volta, umas voltas pelo parque (várias voltas, que 3 horas de almoço dão para muito...) e descobrir que, afinal, num sítio que já fotografei tantas vezes ainda existem mundos inexplorados. Coisas novas! As cores de Outono no auge! E um gato :)
Acho que nunca antes tanto tempo de almoço me tinha parecido insuficiente... mas lá voltei, a olhar por cima do ombro para aquelas luzes do fim de tarde, mais gelado mas com muito menos frio.

Chegado a casa, prontinho para ver as fotos em grande, carrego no botão e... nada! Ver tomadas, ver fios, ligações, e nada. Computador morto. Zero. Nem zunia. Kaput!
Deixei para hoje, não fosse uma "insignificância" como talvez-ter-ficado-sem-computador estragar-me um dia que quase tinha começado mal mas tinha corrido tão bem.
Será que hoje voltas à vida? Please?


"Elderly woman behind the counter in a small town", Pearl Jam, VS., 1993
"Sleepy Hollow - A Lenda do Cavaleiro sem cabeça", Tim Burton, 1999

(Estranho a maneira como os ciclos se fecham e as partidas que o nosso cérebro nos prega... adormecer, também, com uma música de que não gosto? Rhianna, OUTRA VEZ??? Onde é que eu vou buscar estas coisas?)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Re-esfriado

Hoje tenho o termostato completamente avariado...
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Corre-me o nariz como se fossem as comportas da Aguieira...
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Tenho um clima global pelo meu corpo fora: as costas no calor abrasador do Sahara; os braços mergulhados no Atlântico e no Pacífico; os pés variam entre as nascentes térmicas e o espaço sideral;
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O resto, diria eu, está como se um El Niño me percorresse, de Norte a Sul, possuído por um diabo-da-Tasmânia...
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Ainda mais dois dias disto?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Porquê? 's

Ontem, depois de deambular um bocado por esta teia de links e de encontrar mais umas páginas interessantes, dei comigo a pensar na abundância de alguns. E, por oposição, na escassez latente (latente, presente e por demais evidente) de publicações que aqui produzo...
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Dei comigo a pensar nas vezes que aqui venho e não deixo nada. Nas vezes que abro uma nova mensagem e saio sem sequer uma letra. Nos dias sem registo, sem palavras, como se hibernasse, como se não vivesse.
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E, claro, veio a primeira pergunta: "Porquê?"
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Porquê os dias em branco, quando sei que tanto por dentro se agita? Porquê a aparência tranquila quando as profundezas se revolvem e revoltam? Porquê não admitir e não reconhecer receios e anseios? Dúvidas? Sentimentos e alegrias? Tristezas e desalentos?
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Mais uma vez, porquê?
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Respostas? Às vezes, não tenho. Ou melhor, às vezes tenho, o que explica o que, às vezes, escrevo.
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E essa foi a única conclusão de ontem: um post não tem de ter respostas!
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De tão elementar, sinto-me um bocado estúpido por só agora aqui chegar:
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- Porquê tanto medo de, tantas vezes, não ter nada mais do que perguntas?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Remember, remember...

"Remember, remember,
The fifth of November,
The gunpowder treason and plot.
And I see no reason
Why the gunpowder treason
Should ever be forgot..."
:
(A ver se me lembro de tudo o que me desacomoda no Guy Fawkes...)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Chico Buarque

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
...isto é carência.
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Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
...isto é saudade.
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Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...
...isto é equilíbrio.
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Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
...isto é um princípio da natureza.
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Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
...isto é circunstância.
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Solidão é muito mais do que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos,
em vão,
pela nossa alma...
Chico Buarque

sábado, 11 de outubro de 2008

Dia perfeito...

Confesso que nunca acreditei em dias perfeitos.
Sempre pensei que, no meio de tudo o que de bom e de feliz um dia pode ter, haveria sempre alguma coisa de menos... perfeito.
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Afinal enganei-me :)
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Se algum pormenor houve que pudesse ter estragado isso... passou-me ao lado!
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Pois é... muito feliz!!!
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Marrakech... here we go!!!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

E hoje, o Outono...

E hoje o Outono bateu-me na cara...

Assim de repente, sem aviso. Fingiu-se desaparecido estes dias, como se tivesse decidido adiar a visita para o ano que vem. Como se "deixa lá isso e os casacos, vou deixar o Verão estafar-se até ao fim, enquanto eu ainda saboreio mais uns solzinhos antes de me meter ao trabalho..."

O fulano é tramado!

Abri a porta a olhar para os tons quentes do nascer do Sol, por cima da serra, e ele apanhou-me de surpresa. Estava emboscado logo ali na soleira, colado às paredes a toda a volta, nem respirava para não se denunciar...

Ontem ainda pensei tê-lo ouvido... à noitinha, enquanto me deleitava com o café, ouvi um restolhar de passos familiar. Vim à janela, curioso, espreitar, mas não vi nada. Pensei que o arrepio fosse do fresco das noites de Verão, mas, afinal, já era ele a passar-me os dedos pelo pescoço.

Matreiro, o fulano! Insinua-se e esconde-se, faz-se adivinhar e camufla-se, vai-e-vem, faz-de-conta... Mas também, o que esperar de um tipo chuva de manhã-Sol à tarde? Calor-frio? Cinzento-luminoso? Preto-e-branco/Multicores? Este, que deve ter aprendido as artes com o risonho deus Loki, faz das partidas um verdadeiro "trick or treat" halloween'esco, espalhado por vários meses e com dosagens diversas.

Seja como for, quando atravessei a porta, com a boca aberta, de espanto e de bocejos, o Outono bateu-me na cara! Assim, de rompante, de chofre, de repente.

Bateu-me na cara e rodeou-me, sem rodeios passe o pleonasmo, entranhou-se-me pela camisola acima e pelo colarinho abaixo, tentou entrar por todos e por cada poro. E começou a rir-se! De mim! Da minha cara...

Surpresa!, dizia ele, entre cada gargalhada e cada investida, como se alguma possibilidade houvesse de eu estar distraído. Surpresa!, ria-se ele, revolteando, vindo e fugindo, mais um arrepio aqui e um friozinho na barriga por além...

Depois lá foi. A rir-se, claro, a diluir-se na distância e nos raios amarelos e rosas, a fazer-se novamente esquecido no calorzinho bom do Sol que ia aparecendo e novamente a fazer caretas e a tirar a língua nas sombras do caminho.

Lá pensei eu, também já a rir-me, claro, que agora ficava avisado. Que este, este ano pelo menos, já não me apanhava desprevenido, desprecavido, de surpresa. Ah! Mas eu avisei-vos: o Outono, esse fulano, é tramado. É malandro, matreiro. É maroto!

E então, ia eu pela Baixa depois de almoço, a saborear o café e o quente do Sol alto, quase de Verão (distraído, claro!) e aquele tipo, por cima do meu ombro, matreiro, traquinas, a rir-se, claro!:

- Surpresa!

Aaahhh.... aquele cheirinho a castanhas assadas...